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Não existe voto nulo

há 1 dia
2 min de leitura

Nesse dia do professor, tive muita dificuldade em sentar para escrever algum tipo de reflexão sobre o trabalho docente e o impacto que ele tem na minha vida.


Os últimos dois anos tem sido, (para colocar de maneira "leve" e sem nenhum "drama". Não mesmo...) uma cascata sem fim de dor e sofrimento: cada movimento investido nos últimos 12 anos de docência superior pública vieram a culminar na perda de tudo que eu acumulei até aqui. Tudo isso em troca de "títulos" e um "currículo", mas não de uma carreira (vou poupar o leitor dos detalhes, pois o texto não é sobre isso. Quem sabe, sabe...).


Mesmo assim, eu ainda acredito no valor da educação pública de qualidade, senão pelo fato de que sua razão de ser é a proteção dos mais necessitados: aqueles vulneráveis à banalidade do mal, à busca desenfreada pelo lucro, e ao medo irracional da diferença. A essa altura, o leitor ou a leitora (ou leitore, não julgo) deve estar pensando o que isso tem haver com a negação metafísica dada no título dessa divagação. Explico.


O voto nulo é uma opção dada ao eleitor que não quer escolher nenhum dos candidatos habilitados, seja por não se sentir devidamente representado por ninguém, seja para protestar contra a política brasileira, ou pelo simples fato de que não deseja engajar com o próprio sistema eleitoral (o bom e velho "de saco cheio"). Entretanto, alguns parecem tratar o voto nulo como uma escolha livre de responsabilidade, como se ao votar nulo, estivesse você (sim, você, que pretende votar nulo) livre das consequências desta escolha. Porém, se tem uma coisa que eu aprendi com o magistério (te falei que tinha haver) é que não existe voto nulo, pois não existe escolha livre de consequências.


Cada vez que escolho ser professor, faço uma sequência de escolhas: preparar a minha aula (ou não), entrar em sala de aula (ou não), executar essa aula em relação ao planejamento (...essa nunca acontece, a escolha é aceitar ou não. Quem é professor sabe). Cada escolha dessas não é livre de consequências, nem para mim, nem muito menos para meus alunos e alunas (e alunes, já disse que não julgo). Isso vale, igualmente, para as decisões que tomamos em nosso dia a dia, e que impactam a vida de pessoas que não vivem a nossa vida, pois ninguém o faz.


Quando você (sim , você, que pretende votar nulo) abre mão seu direito de escolha, você está deixando outros escolherem por você. E o que aprendemos, mais cedo ou mais tarde (geralmente cedo, mas repetidamente, até que não temos outra escolha senão aprender), é que outras pessoas não vivem a sua vida e, com diferentes níveis de empatia, podem não ter o seu melhor interesse em mente. Por isso, vote.


Mas se você estiver se perguntando em quem votar, só tenho um pedido a lhe fazer (na verdade, já te pedi para votar, mas você entendeu...): leia. Leia livros, quadrinhos, videogames. Leia jornais, ficção, não-ficção (aproveite e leia os programas de governo dos candidatos, para saber se eles realmente te representam). Leia com curiosidade, com senso crítico, com instrospecção, mas leia. Leia como se a sua vida dependesse disso. Porque depende.


Apesar (ou talvez por causa) de tudo que passamos, longa vida ao professor!





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