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Expresso do ontem

Caminhando para casa

Ao passo que me tem 

Tive a visão macabra

Do expresso do ontem


Escapando dos vagões traseiros

Relegados ao flagelo da guerra

Pouco me sobra de trejeitos 

E muito me falta de terra


Movendo pelos vagões do meio

Um universo à parte: 

Alguns dando passeio

Enquanto outros, sem alarde

Sentam à mesa, sem rodeio


Chegando aos vagões da frente 

Só consigo ver o antes;

As sombras gritantes 

Imagem morta persistente 


Do expresso do ontem

Tive a visão macabra 

Ao passo que me tem

Caminhando para casa


31 de outubro de 2025

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